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29/12/2018

O pânico como medo do "colapso"!


Continuando o post sobre a importância do fator ambiental e o surgimento das defesas dissociativas, podemos, então, chegar à conclusão que, se a psicose surge como necessidade para o self incipiente do indivíduo sobreviver ficará ali uma "lembrança" de um colapso, devido às falhas ambientais significativas.

Coloquei lembrança entre aspas porque estou falando de uma memória que é mais corporal que intelectual. O bebê teve que defender-se da falha e o fez utilizando-se dos frágeis recursos que dispunha em seu ego incipiente. Houve um colapso e é este colapso que, mais tarde, ao longo de sua vida, poderá surgir em seu horizonte como uma ameaça.

O pânico, então, segundo Winnicott, é o medo de reviver esse colapso que um dia foi sentido e que não pôde ser vivido como uma experiência, integrado ao self, compreendido. Permanecerá como uma severa "ameaça". Daí que, quando a pessoa experimenta um "pânico" o que ocorre é uma severa crise de "angústia" por ele achar que vai colapsar (medo da morte, medo do vazio). O que a pessoa ainda não descobriu é que o colapso já aconteceu bem antes e, por não ter sido vivido como experiência ele permaneceu como "ameaça". O que está acontecendo no momento do pânico e angústia, então, é um colapso das defesas de antes, já organizadas.

Para estes pacientes, é fundamental o recurso à possibilidade de regressão na análise para que possam, enfim, viver aquilo que faltou como uma experiência. Agora, sem tanto medo e com a possibilidade de recuperar a esperança e a confiança em si mesmos.

Tais pacientes, por terem que se defender muito cedo, se utilizaram de mecanismos defensivos muito rígidos, o que lhes custou muito em termos de amadurecimento. Estão fugindo, sempre, de uma agonia que foi vivida como impensável. O holding, portanto, se faz absolutamente necessário e predominante como técnica psicoterapêutica.

Henrique Silva

(publicado no Facebook em 29.12.2019)