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01/01/2019

A família como um ambiente "indestrutível"!


Fechando a conversa com este quarto e último post sobre a questão ambiental e a psicose no início da vida, trago esta frase de Winnicott:

"...Reconhecemos a vital importância da provisão ambiental, em especial no início da vida infantil do indivíduo; sendo, por essa razão, que damos destaque maior ao estudo do ambiente facilitador em termos humanos e em termos de crescimento humano, na medida em que a dependência adquire significado...” (“A criatividade e suas origens”).

Isso permitia a Winnicott nos recomendar "desconfiança" com teorias que situassem, por exemplo, a esquizofrenia, exclusivamente em um campo que desconsiderasse o desenvolvimento individual dentro de um ambiente.

Participar no início da vida, de forma dependente, de um ambiente facilitador, seria uma condição humana irrefutável se quiséssemos pensar em saúde psíquica.

Isso nos leva a voltar os olhos para o amadurecimento emocional dos pais e o amor que nutrem entre si. São as garantias de oferta de um bom ambiente ao filho. E o que é um bom ambiente? Um ambiente que, de início, se adeque às necessidades do bebê e, depois, vá lhe permitindo experimentar as separações necessárias, mantendo-se como um "rochedo" indestrutível para suas agressividades, e dando-lhe, nestes momentos iniciais, a esperança e a confiança através da não retaliação (não confundir com ausência de contornos ou limites).

Certamente jamais será uma tarefa simples a de ser pai e mãe, mas quanto mais naturais formos e quanto mais nos preocuparmos em compreender as necessidades de nossos filhos em cada estágio de seu desenvolvimento melhor para o seu amadurecimento. E não adianta acreditar que sabemos tudo sobre eles... eles têm muito a nos dizer, desde o início. Só temos que estar prontos para compreendê-los.

Henrique Silva

(Publicado no facebook em 30.12.2018)