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12/08/2018

Freud, 1888 - Artigos sobre hipnotismo e sugestão


Após retornar de Paris a Viena, em 1886, Freud ainda dedicaria, por alguns anos, a atenção ao estudo do hipnotismo e da sugestão. Freud já alimentara certa fascinação pela hipnose desde estudante, mas foi com sua visita a Charcot que viu que ela era, de fato, reconhecida. 

Ainda assim, quando retornou a Viena, ela não era sua primeira opção de tratamento. Quando a utilizava, insiste, era “de outra maneira”, diferente da sugestão hipnótica. Essa postura era uma referência direta ao método de Breuer, de usar a hipnose para determinar a origem dos sintomas.

 

O fato é que, no contexto de seu interesse pela hipnose, traduziu a obra de Bernheim em 1889, e resenhou a de Auguste Forel, também neste ano. Em seguida, faria uma visita a Bernheim e Liébeault, em Nancy.

Entretanto, Freud continuava a se desagradar pelo fato de não conseguir produzir o estado hipnótico em muitos de seus pacientes. Decidiu mudar, e começou por substituir o “sono hipnótico” pelo “estado de concentração”. Em seguida, introduziu a “técnica da pressão” (mãos sobre a fronte) para auxiliar a concentração e obter as informações desejadas.

Talvez tenha sido por volta de 1896 que Freud tenha abandonado tais métodos. O período, portanto, de algum uso da hipnose, por Freud, foi de 1886 a 1896.

Havia uma controvérsia que servia de pano de fundo a toda discussão sobre hipnotismo e sugestão: Charcot (Salpêtriére) X Bernheim (Nancy). Para Charcot, a sugestão não passaria de uma forme leve de hipnose, já para Bernheim, a hipnose era produto da sugestão. Freud oscila neste debate, pois assumiu, de início, a posição de Charcot quando o visitou, mas se surpreendeu, também, quando da visita a Bernheim.

No final, para Freud, enquanto Charcot dedicava-se a uma abordagem exclusivamente nosográfica, limitando a hipnose aos pacientes histéricos, Bernheim, por seu lado, elaborava a teoria do hipnotismo a partir de um fundamento psicológico mais amplo, fazendo da sugestão o ponto central da hipnose, ainda que com limitações. Em 1930, Freud diria que “na questão da hipnose, realmente tomei partido contra Charcot, ainda que não estivesse inteiramente a favor de Bernheim".

Não há como negar que Freud sempre foi grato à hipnose, e declarou que a psicanálise é sua herdeira direta. Foi ela, a hipnose, quem permitiu se passar dos processos psíquicos simples da análise às situações mais complexas, e mais claras.

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FREUD, Sigmund. Artigos sobre hipnotismo e sugestão. In: Obras Psicológicas Completas: Edição Standard Brasileira. Volume I – Publicações Pré-Psicanalíticas e Esboços Inéditos (1886-1899), pág. 97-105 (clique no link para acesso ao texto integral).

Henrique Silva