Por que Winnicott?

Olá, uma palavra sobre D. W. Winnicott,

Winnicott (1896-1971) foi um pediatra inglês que tornou-se psicanalista e nos legou uma extensa obra acerca da teoria e da prática clínica, com grandes contribuições a tudo o que nos foi deixado por Freud e outros grandes psicanalistas.

Winnicott sustentou-se na tradição desenvolvida por Freud e ajudou em muito a expandir a psicanálise para além dos tratamentos das neuroses, ou seja, avançou em direção à observação do ambiente familiar inicial formado, especialmente, pelas relações entre a mãe e seu filho. Seus atendimentos centrados na relação mãe-bebê e em pacientes psicóticos lhe permitiu fazer a psicanálise enriquecer.

A partir daí desenvolveu novas posições teóricas e posturas técnicas, e suas contribuições possibilitaram avançar-se muito no tratamento de psicopatologias como estados autistas, sentimentos de vazio, distúrbios psicossomáticos, distúrbios de conduta e antissociais, estados depressivos e organizações defensivas borderlines, etc., cujas condições sustentam-se, muitas vezes, nas vicissitudes deste ambiente familiar inicial, e que precisam de suporte para se retomar o amadurecimento pessoal que sofreu interrupções.

Desse modo, suas contribuições têm-se mostrado cada vez mais necessárias pois vivemos momentos em que tais psicopatologias parecem avançar e se tornam mais presentes nos consultórios de psicanálise e psicologia. Com isso, Winnicott tem sido presença marcante no meio psicanalítico brasileiro, sendo crescente a produção editorial e o uso de sua forma de enxergar a natureza humana e seus manejos da clínica. 

Suas ideias nos impelem à construção permanente, algo como o próprio "brincar", porta de entrada para a interação criativa com a realidade, uma espécie de "passaporte para a saúde mental".

D. W. Winnicott nos legou inúmeras contribuições, como:

  • Uma Teoria do Desenvolvimento Emocional, que destaca a importância da relação ambiente-bebê para a saúde da criança, do adolescente e do adulto;
  • Uma noção de Espaço Transicional, que nos fala de um momento onde potencialidades como a espontaneidade, a criatividade e o brincar surgem como capacidades para o relacionamento com a realidade e superação de conflitos e sofrimentos; 
  • Uma teoria que nos fala da Integração entre Psique e Soma e não na dualidade mente x corpo; 
  • Um Manejo do Setting, que ganha importância decisiva no tratamento de determinadas psicopatologias onde é visto como fundamental utilizar-se a metáfora do cuidado materno; 
  • A afirmação da Criatividade como recurso psíquico fundamental para a saúde humana, como elemento diagnóstico e como saída de tratamento analítico;

As contribuições de Winnicott ajudam-me a descobrir e fortalecer meu estilo pessoal de atuar na clínica oferecendo o ambiente, o mais adequado possível, ao tratamento psicoterapêutico necessário em cada caso específico. A partir de Winnicott, a psicanálise fundada por Freud ganhou novas direções e contribuições significativas que se refletem nos consultórios atuais.

Não digo que sou um "psicanalista winnicottiano" porque não acredito que isso exista. Acredito que todo psicanalista é freudiano e, a partir dos ensinamentos de Freud, buscamos desenvolver nosso estilo pessoal de atuação clínica a partir daqueles pensadores com os quais mais nos identificamos. Nesse caso, venho de uma tradição de estudos centrada em Freud, S. Ferenczi e D. W. Winnicott. São autores que estiveram muito presentes em minha formação e onde encontro apoio para minha atuação clínica.

Fico a disposição para mais informações e dúvidas (WhatsApp 92-99247-3776 ou email: analise.henrique@gmail.com)

Henrique Silva.