Sobre a Psicanálise

Olá, uma rápida palavra sobre a psicanálise.

Em linhas gerais, a Psicanálise integra o campo "psi" que lida com o sofrimento psíquico, ainda formado pela Psicologia Clínica e pela Psiquiatria, e é muito recomendável que você busque saber um pouco mais acerca das diferenças entre estas disciplinas e práticas clínicas antes de buscar um acompanhamento ou mesmo uma consulta.

Sabemos que há uma tendência natural em se buscar, inicialmente, o que seria uma "consulta" para se encontrar uma "solução" mais imediata sobre um tipo de sofrimento apresentado no momento atual em que se está vivendo. Mas, sempre enfatizo que este momento merece muita atenção, já que grande parte dos sofrimentos apresenta um componente "psíquico" ou é excluisivametne de ordem "psíquica", e descobrir isso faz toda a diferença para o tipo de tratamento que você buscará e que será mais adequado.

Assim, todo sofrimento é fruto de uma combinação de fatores externos (ambientes sociais) e internos (referentes ao próprio amadurecimento pessoal), além disso, em alguns casos pode apresentar fatores constitucionais e fisiológicos. E este quadro mais amplo da subjetividade humana precisa ser resgatado para que não se fique restrito exclusivamente a abordagens e tratamentos centrados em uso de medicamentos ou "aconselhamentos" e "treinamentos", o que pode ser importante em certos momentos, mas que, em casos de sofrimento psíquico, pode apenas adiar ou mascarar a solução de saúde, revelando-se insuficiente.

Dessa forma, com a Psicanálise e suas investigações acerca do "inconsciente" e do "amadurecimento pessoal", o sofrimento e a angústia humanos puderam ter um espaço de escuta permitindo se passar a lidar com questões que antes eram objeto quase exclusivo de fortes preconceitos, isolamentos, internações e fortes medicações, ou seja, um quadro amplamente associado ao da "loucura". 

A título de esclarecimento, no consultório, o acompanhamento psicanalítico centra seus esforços no holding (sustentação, confiabilidade, preocupação e comuicação) e nas associações e na interpretação de conteúdos conflituosos que escapam ao entendimento do próprio indivíduo. Nesse sentido, a psicanálise não se utiliza de tarefas comportamentais ou aplicação de testes (procedimentos de outras abordagens terapêuticas), assim como não trabalha com treinamento, coaching ou meditação (atividades que exigem certa organização do ego) e, muito menos, lida diretamento com medicamentos (atribuição da psiquiatria).

Também cabe alertar que vivemos um período em que a prática da "psicoterapia" está sendo utilizada de forma muito irresponsável, banal e tem sido muito confundida com "terapia" que, por sua vez, não lida diretamente com os conflitos psíquicos. Assim, a psicoterapia exige uma ação direta com o campo do psiquismo humano, algo que está para além do orgânico, do "consciente", do racional. E mais, no campo da "psicoterapia" são diversas as abordagens, podendo ser oferecida por psicólogos, psiquiatras e psicanalistas.

A "psico-análise", ou "análise", entretanto, é oferecida somente por psicanalistas que receberam uma formação, independente da psicologia ou da psiquiatria. Sim, a psicanálise é uma formação independente e não pode ser confundida com a pós-graduação, que não prepara adequadamente o aluno ou profissional para a aplicação dos métodos "analíticos".

Então, a psicanálise, por sua vez, atua especialmente quando nossa "organização" egóica, conciente e racional não se apresenta forte no indivíduo ou está tomada por conflitos emocionais que causam dor e sofrimento, ansiedades e angústias. Assim, são comuns os tratamentos psicanalíticos para adoecimentos mais regredidos (esquizofrenias, autismos, estados paranoides, crises de angústia e pânico, hipocondrias, quadros psicossomáticos), assim como adoecimentos da transicionalidade (tendências antissociais, hiperatividades, agressividades, transtornos alimentares severos, compulsividades, depressões), além dos tradicionais tratamento acerca dos adoecimentos neuróticos (fobias, histerias, obsessões).

Da mesma forma, a psicanálise não utiliza, em suas sessões, procedimentos hipnóticos, sistemas de auto-ajuda, sistemas moralizantes, postras políticas, visões holísticas ou religiosa-espiritual. Tais recursos podem ser válidos e ter sua importância em determinados contextos pessoais, ou seja, são de uso exclusivo do indivíduo, de sua privacidade, sendo absolutamente desaconselhável utilizá-los no tratamento psíquico pois podem, inclusive, reforçar sentimentos de fracasso e culpa, além de comprometerem o rigor dos procedimentos da teoria psicanalítica desenvolvidos desde fins do século XIX.

O tratamento oferecido, então, é de base exclusivamente psicanalítica, ou seja, com base nos conflitos emocionais trazidos e, por ventura, a serem encontrados no indivíduo. 

Trata-se de uma jornada em direção ao amadurecimento emocional e psíquico, onde o passado e o presente têm a oportunidade de encontrarem apaziguamento. Do contrário estaremos sempre tentando "escapar", "fugir", "se esconder" daquilo que, de fato, merece e precisa ser olhado com mais atenção. E, para isso, o auxílio de um psicanalista pode ser a diferença entre você poder voltar a "brincar" na vida ou manter-se em estado de "sofrimento".

Fico a disposição para mais informações e dúvidas (WhatsApp 92-99247-3776 ou email: analise.henrique@gmail.com)

Seja bem vindo(a) a esta jornada!

Henrique Silva